Histórias Confessas

ou 

Uma História da Morte


Sempre gostei de suspiros. Longos, profundos e sonoros pontos-finais; uma mutação respiratória que vez ou outra se perde no caos urbano. Para mim nenhum fim é mais agradável e mais sentido que o fim marcado por um carregado suspiro. Felizmente, meu ramo de atividade é repleto destes sons maravilhosos. Sou uma colecionadora, e registro em minha memória cada suspiro que já ouvi. Uma pequena distração da rotineira eternidade maçante que são meus dias e anos. Quem sou? Não sei dizer ao certo. Já fui chamada de Thanatos pelos gregos, Anúbis pelos egípcios, Perca pelos nórdicos. Tenho uma gama infindável de nomes e independente deste pequeno fato, sou conhecida de todos os que passam por este mundo. Assustadora para alguns, desejada por outros. Causo uma certa dualidade sentimental por onde passo. Sou vilã, ou mocinha, dependendo de quem está em meus braços.

A humanidade me fascina desde o início dos tempos. A beleza melancólica que cabe a cada ser humano é, a meu ver, o mais belo tipo de arte. Uma longa sucessão de suspiros únicos, com os mais diversos significados. A solidão que lhes assusta, mesmo sendo condição primária de existência.  A unicidade que faz cada história ser especial, mesmo que se pareça com milhares de outras. Para mim são objeto de apreciação constante.

Houve uma vez, um homem extraordinariamente comum. Nasceu em uma noite de outono, em meio às gotas de chuva e aos gritos de uma mãe já experiente. Os irmãos mais velhos gostavam de ignorá-lo, os mais novos, o provocavam. Na escola, não era o melhor, tampouco o pior. Era simplesmente mediano em tudo o que circundava sua existência com ares de pateticidade crescente. Sonhava alto, até perder a fé em sua própria capacidade de realização. Apaixonou-se duas vezes. A primeira, por uma garota de cabelos de palha e olhos expressivos. Tinha dezesseis anos e um desejo irreprimível de viver. Ama-la era ter acesso a uma infinita gama de sentimentos que havia almejado por anos. Beijá-la era desaparecer em seus lábios de cereja, e a proximidade acalmava o vulcão inconstante dentro dele. Era bom e para ele duraria para sempre. Um dia, ela decidiu que queria mais vida do que ele poderia oferecer. Ela partiu, e ele jurou nunca mais amar. Sua segunda paixão veio anos depois, uma mulher de longos cabelos castanhos e olhar amendoado. Ela o ensinou a olhar para o céu, e ele tentava superar o vazio que sempre escondeu. Com ela, a vida era calma e gostosa de se viver. Não demorou muito para que decidissem que a vida seria melhor, se passada na companhia um do outro. Clássico, cliché, comum. Uma mentira contada até se tornar verdade. A irresistível tentativa de aplacar a solidão a que todos os homens e mulheres estão submetidos, desde o primeiro dia de suas não tão importantes vidas.

Então, eles fingiram que o amor ocupava o espaço vazio em suas entranhas. Ele a trazia flores, ela exibia seu melhor sorriso. Queriam filhos, para completar o ideal de família que tinham. Tentaram, perderam, tentaram, sofreram. Já não eram mais tão felizes. O vazio estava de volta e não conseguiam escondê-lo mais. Ela chorou, ele bebeu. Ela procurou maneiras de preencher-se, ele se afundou em fugas mal sucedidas da realidade em que era infeliz. Ela tentou reviver o que um dia existiu, ele não se importava. Ela o deixou sem olhar para trás, e ele se perdeu em memórias de um passado abandonado.

Uma rotina foi criada; acordava as sete em ponto, com o som agudo do despertador; demorava-se na dura tentativa de levantar-se e encarar o terror da vida real, a ressaca estampada nos olhos caídos. O banho frio tinha a função de melhorar a aparência e eliminar os efeitos do dia anterior. Café preto, ruim e amargo, pão do dia anterior. Descia as escadas do apartamento para evitar o elevador e todas as socializações implícitas em seu significado. O carro velho o levava até o emprego que odiava, na firma que odiava, para sentar-se na cadeira que odiava. Um cigarro, um gole escondido. Tic-tac lento, segundos arrastados. Comia sempre no mesmo restaurante de esquina, olhando com inveja para o bistrô do outro lado da rua. Mas o dinheiro não permitia grandes excessos, então o de sempre servia com presteza. E de volta à mesa, as ligações, ao terror cotidiano. Mais um cigarro, outro gole. Fim de expediente. Nunca voltava para o apartamento que nunca aprendeu a chamar de lar. A parada era naquele bar de sempre, bebendo o de sempre, o pensamento preso no de sempre. Só ia para casa depois de se sentir, mesmo que minimamente, melhor. Dormia o sono pesado de quem tem de carregar a obrigação de viver.

Décadas se passaram, mudanças mínimas aconteceram. Um dia, o despertador e as responsabilidades não foram argumentos bons o suficiente. A decisão, que já fora pensada outras vezes, o fez tomar consciência de que o dia seria uma festa. Então ele se permitiu ficar na cama até seu corpo começar a doer e o estomago começar a roncar. O banho foi quente, agradável, longo. Não queria perturbar a gostosa sensação de completude que sentia. Não ligou para avisar ao chefe, um homenzinho tão ríspido quanto infeliz, que faltaria hoje; tinha a vida a se resolver. Vestiu-se da melhor maneira possível e foi almoçar no tão desejado bistrô. Lá, observou as pessoas, os sorrisos contidos por entre colheradas da melhor comida que já provara, olhares furtivos por sobre as taças do vinho fino. Gastou quase um mês de seu salário, mas a satisfação era palpável. Andou pelas ruas, sem destino. Pensou nas duas mulheres que amou, nos filhos que nunca teve, nos irmãos, que a muito não via. Pensou nos pais, mortos há anos, em tudo o que o levara a situação atual. Viu o sol se por, admirou as cores do fim, e do início. Passou em um bar no caminho de volta, comprou uma garrafa da melhor bebida e foi para casa, comemorar.

Escondido no fundo do armário de madeira, seu último ato do dia lhe aguardava. Pegou entre os dedos trêmulos, levou-a para a sala porcamente mobiliada e sentou-se na poltrona gasta. O brilho refletido pela lua cheia iluminava seu desejo. Era inverno, e vento agora assoviava por entre as árvores. Tocou o cabo frio da arma que tinha em mãos. Doce aço que guardou por anos, à espera deste dia. Bebeu, e admirou sua pequenez. Sentia-se tão só quanto um ser humano tem direito de se sentir. Chegou a conclusões que nunca quis admitir. Pensou, e repensou. Até que finalmente, levou a amiga às têmporas. Era pesada, e possuía em si o peso adicional de toda a melancolia que ronda a afável existência. A garrafa jazia esquecida na mesinha ao lado, enquanto o dedo, no gatilho, tremia levemente. Suspirou.
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Inspiração do texto : Survivor – Clarisse Falcão
Pare de dizer que sente minha falta, de escrever para mim ou tentar concertar o que tínhamos. Pare de mentir para mim, achar que sinto sua falta ou que quero te ver. Pare de achar que sua ausência me dói, que choro por nosso relacionamento acabado ou que simplesmente penso em você. Pare de achar que não consigo ser melhor sozinha do que era quando estava ao seu lado, sendo sufocada por sua personalidade espaçosa. Apenas pare, já está se tornado patético.

Aceite que eu estou bem melhor agora, sem você. Que estou feliz, realizada e radiante. Que tenho orgulho de minhas escolhas e de minhas conquistas. Você pensou que eu ficaria fraca sem você? Pois hoje estou mais forte. Imaginou que iria me afundar em lágrimas por te ver partir? Que me destruiria por você ou seria corrompida pela saudade do seu ser? Que gritaria para o mundo todas as partes podres em sua personalidade? Meu querido, eu sou melhor do que isso.

Assumo que senti sua falta por um ou dois meses. Você, mesmo sendo um idiota, era importante para mim. Por um tempo fui a garotinha de coração partido que você imaginou que eu seria. Chorei, sofri, pensei no que teria dado errado. Até me culpei por nosso tão repentino término. Mas um dia acordei, sacudi a poeira e me levantei do chão. Percebi a pessoa incrível que sou e aprendi a amar todos os meus lados. Fui mais longe do que imaginei que chegaria. Parei de me subestimar. Cresci de um modo que nem eu mesma imaginava ser possível, e me tornei a sobrevivente de quem tenho tanto orgulho.

E hoje posso dizer que desde que você se foi minha vida está muito melhor. Realizei sonhos que há muito tempo tinha desistido de sonhar, cortei o cabelo do jeito que sempre quis, parei de roer as unhas e até doei sangue, mesmo tendo medo de agulhas. E, cá entre nós, torço para que você consiga ser feliz. Que procure a ajuda que precisa e se torne alguém com quem valha a pena estar. Torço para que você tenha orgulho de si mesmo e que aprenda a conviver em sociedade, com respeito e compaixão.  Que realize aquele sonho antigo e conquiste seu lugar no mundo. E que consiga sobreviver sem mim do mesmo modo que eu sobrevivi sem você.
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Hoje a lua está linda, e eu não consegui me impedir de pensar em você. Então, por todas as vezes que você me fez sorrir, que cuidou de mim como ninguém mais sabia cuidar; por todos os momentos em que eu podia sentir uma pequena fagulha do amor que você dizia sentir por mim, mesmo que elas desaparecessem a cada briga; por todas as vezes que você foi tudo o que eu precisava, me ouvindo, me abraçando, ou simplesmente estando ali. Por todas as coisas boas que já tivemos, eu me permito escrever um último texto para você.

Você me fez muito mal, e ainda faz. Acabou comigo de um jeito que ninguém havia conseguido, e mesmo assim eu sinto falta da tua presença. Submerso em toda a raiva, nojo e repulsa que sinto, ainda acho espaço para sentir saudades. Não entenda mal, não sinto falta de todas as brigas, nem de tudo o que veio depois, mas sim daquela amizade que um dia tivemos. Você foi meu “quase-melhor-amigo”. Era pra você que eu queria ligar no fim do dia, você que me acalmava quando o mundo parecia demasiadamente pesado. Eu confiava total e inteiramente em ti, e acho que foi isso o que me magoou tanto. Mas dessa vez não quero escrever para te mostrar os estragos que suas decisões tiveram em minha vida. Há um ano, eu mandei você ir se ferrar, então acho que é hora de fazer diferente.

Assumo que sua amizade foi uma das melhores que já tive. Você me entende como ninguém mais consegue, e sabe exatamente o que dizer para resolver todos os meus dramas intermináveis. Nossas conversas nunca acabavam, e os assuntos sempre foram os mais loucos possíveis. Sinto falta de falar sobre a lua contigo, de discutir as mazelas da humanidade ou apenas falar sobre meu dia. Sinto falta daquela felicidade que, embora não esteja vinculada a você, eu já não tenho mais. Eu realmente te odeio, e mesmo assim consigo ter uma pontinha de saudade de tudo o que um dia tivemos. É loucura?

Quero que você seja feliz sabe? Que melhore a pessoa que você é, e pare de tentar ser alguém que não condiz com o que sei que existe em você. Quero que encontre uma garota que goste de ti, e que seja melhor para ela do que um dia foi para mim. Repense suas atitudes, mude suas posturas e pare de ser tão pessimista. Tente ser alguém de quem você se orgulharia.  Seja feliz. Não por mim ou por qualquer outra. Seja apenas feliz por você. Sonhe alto, e tente realizar todas as coisas que podem te fazer bem. Tenho certeza que você consegue. E não me procure, pois ainda estou me curando de toda a energia terrivelmente negativa que você trouxe para minha vida. Essas são as últimas palavras que me permito dedicar a você. A partir de agora, a minha história me pertence, e a ninguém mais.

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Writing Prompt são propostas de escrita com o objetivo de desbloquear o processo criativo, por meio de um tema 'aleatório'. Vou ser bem sincera com vocês e dizer que não tenho escrito por pura falta de criatividade, então talvez faça bastante writing prompts por aqui. Espero que gostem, e adoraria se me mandassem sugestões de temas sobre os quais eu possa escrever. Vocês nem imaginam o bem que me fazem com visualizações ou comentários carinhosos. Adoro vocês. Mas agora vamos ao tal texto maluco escrito por um bolo.

Mudanças
No inicio, havia apenas o mais belo nada. Era um dia como qualquer outro, o céu se tingia com as pálidas cores da manhã, os pássaros confidenciavam seus sentimentos à brisa suave, pessoas andavam por calçadas, alheias à qualquer coisa que não seus pensamentos. Em uma cozinha, escondida dos olhares menos atentos, a mágica estava prestes a ter seu início.
Aos poucos, sobre os cuidados de mãos grandes, embora delicadas, fui me formando. Alguns ovos, farinha, chocolate e baunilha. Fui me tornando algo a mais, algo com um cheiro consideravelmente bom, algo que se diferenciava do nada que antes havia naquele recipiente. O mágico me molda à sua vontade, adicionando ingredientes e fazendo misturas delicadas e precisas. Quando sou colocado de lado, sei que não poderia ser mais feliz. Amo minha textura, meus cheiros e sabores, as bolhas de ar que rompem minha superfície, meu formato indefinido, minha cor pálida como o céu de inverno. Tudo o que me torna quem sou, e que fico feliz em aceitar ser.
Então, em um inesperado golpe do destino, vejo meu mágico se aproximando de meu local de descanso. Ele me toma em suas mãos, e me vira em um novo recipiente. Um lugar frio, metálico, untado com manteiga e farinha, e que nada se parece com meu antigo e amado lar. Sou transportado para perto de um grande quadrado espelhado, que se abre e me engole.
E neste momento, tudo o que há é o calor. A temperatura alta em nada se parece com o agradável clima exterior, e a porta pela qual entrei se fecha lentamente. Aos poucos, tento me acostumar com o desconforto gerado pelo repentino aquecimento, e estou quase me sentindo confortável quando sinto algo estranho em meu interior. Sinto-me aquecendo, e perdendo minha textura tão amada e agradável. Minhas bolhas rompem minha superfície de modo doloroso, e me torno cada vez mais denso e assustado. O medo me consome plenamente. Tenho medo do que está acontecendo a mim, do que posso vir a me tornar. Eu estava tão confortável em minha antiga forma, por que o mágico tenta me mudar? Ora, se eu era tão belo com todos os meus detalhes amados, por que tenho de mudar? O calor é insuportável agora, meu corpo está mudando totalmente. Minha cor está mais escura, minha textura é densa e pesada, meus cheiros mudaram, e estou perdendo minha capacidade de adaptar meu formato ao recipiente que for colocado. Tudo está se transformando, e tenho medo do que me tornarei quando esse sofrimento acabar. E se me tornar algo que não gosto? E se nunca mais for feliz como era em minha antiga vida? Com certeza, não sou mais tão bonito e nem de perto tão especial, mas e se me tornar tão feio e comum, que nem eu mesmo serei capaz de amar-me?
Quando estou prestes a deixar as lágrimas rolarem, a porta se abre. Mãos enluvadas me salvam do calor, e me levam para uma bancada, onde lentamente sinto o calor se esvair de meu corpo. Estou quase em temperatura ambiente quando o mágico resolve aplicar-me mais transformações. Ele retira meu corpo da forma onde fui colocado anteriormente e me deixa completamente desprotegido em minha nudez involuntária. Ele me veste com cremes e coberturas de cheiro espetacular e decora-me com amor e paciência. Sou colocado sobre uma travessa bonita, e levado mais uma vez para o desconhecido. O mágico me deixa em um lugar bonito, onde posso ver pessoas de todas as formas, onde posso ver os pássaros que cantam para a brisa e as cores, agora vibrantes, do céu. Sei que há um espelho em minhas costas, mas tenho medo de olhar e descobrir no que me tornei.
Atrevo-me a olhar depois de muito tempo, quando a curiosidade já não pode ser abafada. Quão grande é minha surpresa quando, no lugar do que esperava ver, se reflete um bolo ainda mais belo do que eu era quando cru! Minhas coberturas se encaixam perfeitamente, minha textura é linda e sou exatamente o que sempre quis ser, mas nunca tive coragem de admitir. Percebo que todas as mudanças que tanto me assustaram, me tornaram ainda mais especial, e que foram necessárias para que eu pudesse me tornar melhor. Talvez, eu nunca tenha sido verdadeiramente feliz, até perceber que era incompleto e interminado. Agora, olhando para o reflexo de meu novo ‘eu’, posso compreender o quão importantes são as mudanças. Me assusta pensar que eu poderia ter passado toda minha vida imaginado ser feliz, quando tudo o que eu tinha era um enorme comodismo, que quase destruiu todas as minhas chances de ser completo e feliz.
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Sumi.
Não por falta de tempo, 
ou ocupações do cotidiano;
Sumi por pura falta de ânimo.


Sumi,
Por uma tristeza chata que me impede de viver;
Por uma vontade incontrolável de não fazer nada;
Por culpa de uma melancolia mal controlada que tomou proporções assustadoras.

Sumi sim.
Sumi de mim mesma.
Perdi o rumo em alguma esquina,
e agora não encontro o caminho de volta pra mim.

Sumi.
Não por desejo próprio,
Mas por uma obrigação implícita no desejo perdido.

SUMI!
Em letras bem grandes!
Num grito ausente de som,
Expresso em linhas sem sentindo.

Andei sumida...
Andei doída...
Andei perdida...
Andei por aí,

Sumida no meio de tanto sentimento mal cuidado.
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Quem é essa garota que você encontrou para assumir um lugar que já me pertenceu? Quem é essa que te olha com carinho quando você se distrai? Quem é que, tão logo eu parti, apareceu para arrumar a bagunça que deixei? Afinal, por que me sinto assim? Eu não te amo, é verdade, mas realmente gosto de você. Afinal, se não gostasse por que teria aguentado o relacionamento defeituoso que mantínhamos? E doeu ver que você conseguiu me esquecer assim, tão fácil. O que eu sou para você, se comparada com ela? Sou âmbar, enquanto ela é ouro puro. Ela te faz feliz, enquanto tudo o que eu fazia era ser uma ambição fria e distante. E ela é bonita. Odeio admitir, mas vocês formam um casal incrível.

Eu sei, eu te deixei. Eu dei a palavra final. Eu sou a culpada por nosso fim. Eu quebrei seu coração quando vi que você não podia concertar o meu. Não devia – e talvez não tenha nem mesmo o direito – de sentir inveja dos beijos que ela te dá agora. Mas não me importo. Te ver com ela acabou comigo.
 
Meus amigos dizem que me assustei com a rapidez com a qual você deu a volta por cima, mas eu sei a verdade. Eu estou medindo tudo o que perdi quando disse adeus. Perdi quem entendia minhas neuras e sabia lidar com minhas crises. Perdi quem me abraçava quando eu precisava de carinho, quem sorria das mínimas coisas que eu escondia em meus detalhes, que brigava comigo toda semana. Perdi um amigo e um confidente, embora não um grande amor. Perdi nossas brincadeiras, nossa sincronia, nossos olhares afiados. Perdi a pessoa que conversava comigo pelas madrugadas, que dividia seus anseios, que me contava histórias. Que me ligava quando eu ia pra casa. Perdi, e só agora realmente percebi que não vou ter de volta. 

E o mundo sabe o quanto eu estou tentando ficar feliz por você. Você merece os sorrisos, os beijos apaixonados, as mãos dadas ao caminhar. Você merece mesmo. Não é uma má pessoa, só foi uma má pessoa ao meu lado. Tínhamos ritmos muito divergentes, e agora você achou sua batida perfeita.  Então vá ser feliz. Eu e meu coração vamos ficar bem.
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Talvez você esteja em casa, assistindo alguma série sobre psicopatas na netflix, sentindo-se tão só quanto eu me sinto. Talvez, você esteja em uma festa, sorrindo e esquecendo-se por um momento do vazio em seu peito que, em algumas noites solitárias, parece ter um peso esmagador. Talvez, você esteja estudando para uma prova de matemática, fazendo panquecas, ouvindo alguma banda dos anos 90, pesquisando sobre a extinção dos tigres dente de sabre. Talvez, talvez, talvez. Talvez você exista, talvez nos esbarremos por aí, talvez encontremos um no outro a peça que falta em nosso quebra cabeça defeituoso. Ou talvez você seja apenas fruto da esperança de uma garota estranha, que por motivos também estranhos não seja tão boa com relacionamentos. Esse é o problema não é? O talvez. A inebriante falta de certeza que nos cerca e nos deixa assim. Desnorteados, apegando-se à esperança fútil de um amor inventado.

Mas, meu querido talvez, eu não sou capaz de abandonar-te. Não sou capaz de encarar a realidade completamente e perceber o quão patética sou por ansiar por alguém como ti. Você é meu porto seguro nas piores noites, com quem eu sonho quando a vida se transforma em um pesadelo, minha doce ilusão. Não tem nome, endereço e não se parece com ninguém. Um sopro de esperança que não me permite abandonar minha fé no amor. Isso é você. Um amor inexistente, incoerente e impossível, mas que não me deixa desistir completamente.

Talvez você esteja em mim, seja a parte da minha personalidade que, por mais dura que seja a queda, por mais infeccionado que esteja o ferimento, quer ficar e lutar por dias melhores. Talvez, algo dentro de mim esteja quebrado, e você seja o pedaço que falta para consertar tudo. A minha super cola. O que sei é que pensar que há alguém, em algum lugar, que se sinta tão deslocado quanto eu me sinto, não me deixa entrar em colapso. Pra mim, você é uma ideia boa. Um personagem de uma história ainda não contada. Um bote salva vidas em que posso me agarrar a hora que quiser, sem o risco de estragar tudo. Talvez você não exista, talvez eu seja louca por imaginar-te, mas sem isso, sem essa pequena e louca parcela de esperança, eu jamais poderia escrever sobre o amor.
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E quem nunca disse "eu te amo", quando o que realmente sentia não passava de um "eu te gosto"? O amor tem se tornado algo tão banal quanto dizer bom dia. Todos dizem, para todas as ocasiões e se esquecendo do real significado da expressão. Embora não seja mais de conhecimento público, amar não é o mesmo que estar apaixonado. Paixão é aquele sentimento forte, avassalador e momentâneo que experimentamos incontáveis vezes durante a vida. Amor é calmo, chega de mansinho e nos captura, muda nosso modo de ver a vida e nos prende para sempre. Poucos são os sortudos que realmente são inundados pelo amor nesta sociedade cada vez mais fria e banal.

Basta abrirmos qualquer rede social, para sermos expostos a juras de amor eterno que não duram mais que algumas semanas, e que são esquecidas assim que outro "príncipe encantado" surge nas esquinas da vida. Casamentos são desfeitos, relacionamentos esquecidos e lágrimas arquivadas. Amores reais são jogados de lado por meras aventuras momentâneas, e todos parecem se esquecer dos sonhos construídos em conjundo, dos juramentos sob a luz das estrelas, das borboletas no estômago e da paz que se alcança ao ter quem amamos ao nosso lado. Ninguém mais preserva a integridade do amor. Dizemos eu te amo para o namorado, para o rolo de fim de semana, o bonitinho da academia, o padeiro que faz aqueles bolinhos deliciosos da padaria da esquina. Dizemos tanto, que esquecemos de realmente amar.

Quantas amigas já não vieram até mim após terminar um relacionamento de anos, meses ou até dias, com a mesma ladainha de "ele era o homem da minha vida"? Quantas não reclamaram que, mesmo gritando aos sete ventos o amor que sentiam, deixaram a chama do amor -que nesse caso se chama paixão- se apagar? Quantas vezes não ouvi o discurso de que, embora diga para minha amiga que a ama incondicionalmente, o tal fulaninho da vez não prova seu "amor" com reais atitudes? E minha resposta é sempre a mesma. Entre potes e potes de sorvete, choros intermináveis e algumas raras risadas, provo por A mais B o que já era óbvio. Você nunca amou esse cara. Então, aceite que acabou a paixão, e parta para outra. Entenda que amor não dá em árvore, e que não é qualquer carinha com olhos brilhantes e sorriso sedutor que vai conquistar, não suas palavras, mas seu sentimento.

Dizer que ama é fácil. Difícil mesmo é conviver com alguém nos piores dias, lidar com dramas que não te pertencem e ainda assim querer ficar junto.
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Eu já fui só mais uma boba apaixonada, esquecendo-me de mim ao pensar em um alguém que não se importava com minha felicidade. Já condicionei meus sorrisos aos sorrisos de um par de olhos castanhos chocolate. Já deixei meus sonhos de lado para ajudar a construir os de um cara que pensei ser minha alma gêmea. Já amei por dois, vivi por dois, desejei por dois. Já quis mudar meu ser para me sentir amada. Já mudei de cor de cabelo, estilo de roupa, gosto musical. Tudo isso para que um garoto com o sorriso brilhante gostasse de mim. Já fiz muita bobeira nessa vida. Já escolhi a felicidade de quem pensei amar antes da minha. Mas agora, declaro estado total de mudança. A partir de hoje, eu escolho a mim.

Vou sonhar o mais alto possível e lutar para realizar tudo o que quiser. Vou rir de mim mesma, amar quem sou e viver uma vida que valha a pena. Vou ser louca, boba, desastrada. Vou ser tudo o que sou, sem tirar nem por. Vou me permitir admirar o azul do céu, o colorido das borboletas do jardim do bairro, o calor do sol em minha pele. Vou dançar na chuva sem me preocupar com a chapinha. Vou comprar o maior sanduíche, sem medo de pensarem que não sou uma dama. Não sou. Na verdade nunca fui. Vou cortar o cabelo como eu gosto, passar meu melhor batom vermelho, colocar meu vestido favorito e sair para me divertir. Tenho amigos que me amam por quem sou, então por que precisaria que alguém me amasse por quem finjo ser?

Vou comprar lápis de cor e entrar em um curso de desenho. Vou aprender a falar francês, italiano e talvez até alemão. Vou planejar mil viagens sem saber se um dia vou conseguir fazê-las. Vou treinar escalada, comprar uma bicicleta e correr uma maratona. Vou perder o nojo e finalmente experimentar sushi. Vou trabalhar como voluntária, adotar um gatinho e conversar com estranhos na rua. Vou entrar em um ônibus sem saber pra onde ele vai, me perder e me encontrar. Vou mirar na lua, quem sabe eu não acerto uma estrela?

Tenho tantos sonhos empoeirados dentro do armário, privados da superfície, que me assusta pensar em porque os coloquei lá. Chego a ter uma leve vergonha de perceber que até hoje deixei minha vida ser moldada por pessoas que não se preocupavam verdadeiramente comigo. Por anos fui nada mais que uma bonequinha. Deixei que brincassem comigo. Que me vestissem, que dissessem do que deveria gostar ou o que deveria dizer. Me dizerem quem deveria ser. Mas um dia eu acordei e percebi como estava sendo estúpida. Eu vou viver. Sem medo de ser feliz. E pra quem não gostar, bem, Que se dane!


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Olho para o espelho e vejo a garota frágil, com os olhos inchados e a expressão cansada de quem não consegue ver a luz na escuridão que a vida tomou. Sofro quando percebo que toda a esperança, os sonhos, a vontade, ao luz que antes brilhava no fundo dos meus olhos se foram, deixando para traz apenas o fantasma de uma vida a muito levada. Você me abriu, me desmontou e esqueceu-se de arrumar os pedaços. E hoje, eu tenho nojo da pessoa em que você me transformou.

Um dia eu fui feliz. Eu amei quem era, amei meu corpo, amei minha realidade. Um dia eu tinha todas as escolhas na palma de minha mão, e podia me orgulhar de fazê-las. Um dia eu fui a dona de minhas decisões, meu não significava não e meu sim significava sim. Um dia eu fui respeitada, amada e cuidada. Não havia quem diminuísse minhas palavras, que arruinasse meu ser. Um dia, eu não tinha vergonha de olhar para o passado. Não me culpava por não ter gritado alto o suficiente, por não ter lutado mais bravamente. Um dia eu ainda era uma criança inocente, esperando o amor me bater à porta. E me achava digna de tal sentimento.

Então você veio. Ignorou meus olhos e olhou para meu corpo. Fez pouco de minha inteligência e me mostrou como estava errada de todas as formas. O grande amor que eu tanto esperava não significava absolutamente nada para você. Minha ingenuidade te trouxe o mais negro dos desejos, e tomado por ele você quis ser quem acabaria com a inocência que brilhava em meu eu. Aos poucos, você foi abalando minhas certezas, me fazendo duvidar do que sentia, do que escolhia. Exagerada, louca, burra, feia. Jogou minha autoestima para os cães e eu acreditei que tudo o que você fazia era mais do que merecido. Até o dia em que você tentou me fazer duvidar da veracidade do meu não. Quando me roubou as escolhas, tapou os ouvidos para minhas negativas e se fez de desentendido para minhas súplicas. Destruiu-me em pouco tempo, e nada sobrou da princesa que antes era motivo de orgulho.

E eu fui obrigada a me reconstruir. Sob uma dura camada de culpa eu juntei os cacos espalhados pelo concreto. E você, quando viu que a inocência havia se perdido em meu olhar, se foi. Sem nem ao menos se despedir. Em seu lugar, apenas a dor e culpa me fizeram companhia. Devia ter sido mais dura em meu não. Devia ter gritado mais, esperneado mais, lutado mais. Devia ter feito alguma coisa. Eu devia ser menos fácil. Afinal, mesmo negando, era o que eu realmente queria, você disse.

Agora, sobrou o nojo. De quem sou. Do que deixei acontecer. Da sujeira que me atormenta. De mim. De você. Do passado. Sobrou também o medo. De que aconteça de novo. De que eu nunca seja capaz de me perdoar. De que alguém descubra. Do que dirão de mim. Da decepção, do ódio, dos dedos apontados. Para mim, a vida se divide em antes, e depois de você.

Hoje você está com uma nova garota. Uma nova coitada que você diz amar. Você vai contar a ela o que fez comigo? Ou vai esconder-se acreditando que o que fez não passa de coisa de adolescente? Mas pra mim, não foi uma brincadeira boba. Pra mim, destruiu o futuro brilhante que sonhei. Me encheu de medos, traumas, dores psíquicas. Pra mim, foi o fim da história.

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Há algum tempo, eu não queria imaginar minha vida sem nossas brigas. Se ser infeliz era o preço a pagar por estar ao seu lado eu pagaria com tudo o que tinha. Seriamos infelizes juntos, mergulhados em uma falsa felicidade por continuarmos tentando. Daria certo por anos, e por muito tempo eu me apeguei à esperança de que, um dia, nossa infeliz relação se tornaria a mais feliz de todas. Apenas por termos tentado. Afinal, eu te amo não é?

O problema é que eu me amo ainda mais. Então eu fui embora. Abandonei aquele nós defeituoso e investi em um eu que por muito tempo ficou em segundo plano. E poxa, eu me senti tão melhor! Segui em frente e voei para longe de tudo o que me prendia a você. Fiz as pazes com o que via no espelho, sorri para estranhos na rua, conheci coisas novas. Vivi. Sem você.

Então, por que me sinto tão estranha ao saber que você fez o mesmo? Que achou um outro alguém? Não me entenda mal, eu não quero você de volta nem em um milhão de anos. Gosto de ser feliz mais do que gosto de você. Mas assumo que meu coração ficou um pouquinho apertado quando vi como sua nova garota é bonita, e como vocês parecem felizes juntos. Pela primeira vez desde que me fui, senti sua falta. Não de estar ao seu lado, mas de ser sua amiga. De conversar sobre futilidades, de sentir o seu olhar sobre mim, de segurar sua mão nas aulas. Do que fomos um dia. Da sua amizade, dos seus conselhos ruins, das suas brincadeiras bobas. Senti falta do melhor de você. Por que, por mais que as coisas tenham desandado muito como tempo, houve um tempo em que eu era feliz com você. Pena que durou tão pouco.

Então, como amiga eu venho lhe pedir, cuide melhor dela do que cuidou de mim. Não seja o idiota infantil que foi comigo. Não cometa os erros que cometeu no passado. Seja feliz. Você merece e sabe disso. E eu, fico feliz por você. 

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Mais um ano chega ao fim trazendo contigo reflexões sobre o que fizemos, os erros que cometemos e os acertos que queremos no próximo ano. É o tempo que tiramos para pensar sobre nossas vidas e desejamos mudanças. Dois mil e quinze. Que ano! No aspecto mundial, tragédias, crises econômicas, acordos globais. Para o Brasil, foi o ano que finalmente nos cansamos dos roubos milionários, tivemos epidemias e leis que melhoram e pioraram a vida de muitas pessoas. Para mim, foi o ano mais longo de todos.

2015, para mim, foi um ano importante. Foi o ano que eu aprendi a gostar do que via no espelho, que eu sorri verdadeiramente, que eu entendi o conceito de equilíbrio. Nesse ano eu larguei os remédios e aprendi a ser feliz sozinha. Realizei o sonho de ter um blog, e tive o prazer de vê-lo crescer tanto em menos de um mês. Estudei como uma doida, andei de ônibus para todo lado, conquistei parte da minha independência. Fiz amigos que aprendi a amar, e que pretendo levar para toda a vida. Tive altos, baixos e momentos contínuos. Vi o melhor e o pior da vida. Reaprendi a dizer eu te amo, e entendi que o amor está nos pequenos gestos. Lutei contra minha timidez, participei de debates e decidi mudar o mundo. Participei e ganhei um concurso de poesia. Escrevi sobre tudo, sobre nada, sobre política e sobre o tempo. Perdi um pouco da vergonha que tinha e passei a mostrar meus textos para as pessoas. Dei um adeus ao passado e segui minha vida. Briguei, fiz as pazes e briguei mais uma vez. Não deixei ninguém tirar meu direito de escolha, minha felicidade ou me fazer olhar para o espelho e não gostar do que está refletido. Me achei linda, com todas as imperfeições e defeitos. Chorei, sorri, caí e me levantei.

Não haveria modo melhor de terminar esse ano do que agradecendo a todos os que fizeram meu ano valer a pena. Sem vocês, eu continuaria sendo a garotinha deprimida e com baixa autoestima que já fui um dia. Vocês me ensinaram a me amar, e por isso eu acabei amando vocês também. Obrigada por todas as brincadeiras, todas as risadas que dividimos, todas as conversas sérias e momentos incríveis. Obrigada pela coragem que me deram, por ouvirem meus problemas e me oferecerem esperança. Por me ajudarem a construir minha personalidade, por me obrigarem a falar no telefone, por rirem de coisas sérias, por caminharem ao meu lado e estarem sempre comigo. Obrigada por apoiarem meus sonhos, por acreditarem em mim. Obrigada a todas as pessoas que passaram por minha vida esse ano, e de algum modo me marcaram.

Que 2016 seja, para mim, assim como foi 2015, um ano incrível. Cheio de realizações e momentos inesquecíveis. Que seja um ano cheio de sorrisos, de declarações, de sonhos a se realizar. Que venha o terceirão, o Enem, o fim e o início. E que, sobretudo, eu seja tão feliz quando fui esse ano. Que venha 2016, e que venha o futuro. 

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Já faz um tempo que não lhe escrevo, desde que minha infância foi levada para longe e eu parei de acreditar na magia que me encantou por tantos anos. Parei de sonhar com fadas madrinhas, coelhos da páscoa, fadas do dente e desejos que se realizam com um balançar de varinhas. Na emergência de crescer, deixei de lado a magia de ser criança.

Hoje sou quase gente grande, e descobri que viver não é tão fácil como parece. O mundo não é um conto de fadas, não existe fada madrinha para vir ao meu socorro quando estou presa em pesadelos reais. O príncipe encantado é um babaca, a madrasta má é apenas incompreendida e o lobo mal tem um sorriso incrível.

Papai Noel, quando eu era pequena era tudo tão mais fácil! Não havia pergunta sem resposta, história sem ponto final, desejo não realizado ou dor que um beijinho de mãe não curasse. Quando eu era criança podia ser princesa, bruxa, sereia, exploradora, astronauta ou médica. O futuro não era assustador e os sonhos eram vívidos e brilhantes. Todo dia era dia de ser feliz.

Anos se passaram, e a realidade que descobri me deixou mais dura, quebrou minhas asas e me jogou ao chão, onde me obrigou a ficar com os pés fincados. A pergunta “o que você vai ser quando crescer” parou de ter uma resposta fácil, as histórias pararam de começar com era uma vez, papai Noel passou a ser só mais uma lenda boba. A Barbie passou a me olhar com desgosto, afinal eu nunca teria o rosto ou o corpo perfeitos, nunca seria a princesa mais linda do reino.


Mas alguma coisa aconteceu, e hoje eu quero um pouco daquela magia de volta. Quero sonhar alto sem medo de cair, encarar o futuro como só mais um dia para se divertir. Por isso escrevo essa cartinha. Para resgatar um pouco da infância de deixei para trás há tanto tempo. Querido papai Noel, eu não sou a melhor menina do mundo e nem acho que um dia serei, mas esse ano tudo o que eu mais quero é ser feliz como uma criança em noite de natal.

Com muito amor,
Anna Murça.
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Há alguns meses você disse que ninguém jamais se apaixonaria por mim. Listou meus defeitos e me culpou por erros que só cabiam a você. Tentou me provar que eu só seria feliz ao seu lado, afinal quem iria querer alguém assim tão problemática e difícil? Você, com todo o seu doce amor e sua inesgotável paciência perdoou todas as minhas incontáveis culpas, ignorou todas as minhas maluquices e meus costumeiros exageros. Como eu acharia alguém tão bom quanto você?

E você continuava dizendo “baby, você é o problema.” E eu sempre soube que você estava certo. Eu sou o problema, por minha culpa nosso tão incrível relacionamento esteve à beira da morte inúmeras vezes. Então, era de se esperar que você se estressasse às vezes. Era previsível que tivesse ataques de raiva e dissesse coisas que não queria dizer. Você, sempre pensando em meu bem, não poderia deixar que eu virasse uma daquelas garotas fúteis de capa de revista, então sempre me lembrava de que não era assim tão bonita. Não era doce, inteligente, bonita e capaz. Deve ter sido um enorme sacrifício estar com alguém assim! Então, é óbvio que você, como homem macho que é, teria certas necessidades que eu não conseguiria cumprir. Você me fez um favor quando beijou aquela garota, ou quando me fez ficar em casa para ir a uma das suas festas nojentas.

Um dia, você se cansou de mim. Terminamos. Eu estava só. Você se foi e me deixou para trás com a promessa da solidão. Como bom cavaleiro que é, disse a seus amigos o quão controladora e maluca eu posso ser. Como você pulou fora assim que teve uma oportunidade. Para você, essa foi nossa história. Um bom rapaz, que se apaixonou por uma megera sem coração.

Mas querido, você sabe o quão ridículo é quando você defende essa falsa versão? Quando ignora o que eu tenho a dizer? Nosso relacionamento era uma merda, e você sabe disso. A megera não caiu no seu papinho patético não é? Você não conseguiu destruir minha autoestima e me prender a você. Não conseguiu me controlar. Eu não vou esquecer todas as vezes que você gritou, quantas vezes perdeu o controle que nunca teve. E aqui vai a minha versão dos fatos meu amor. Os erros não são só meus. A culpa de você ser um babaca é completamente sua. O fato de você ser XY não lhe dá direito de me trair, ou de me tratar com inferioridade. Pelo contrario baby, eu sou um ser humano exatamente como você, e tenho direito de ser tão livre quanto qualquer um.

Eu não vou deixar você controlar a cor do meu batom ou o tamanho da minha saia. Você não vai me prender em casa, não vai me transformar na dama que deveria ser. Se para você foi um sacrifício estar comigo, para mim foi ainda pior. Quem quer estar com alguém que aponta e aumenta seus defeitos apenas para te fazer desistir de uma felicidade que você sabe que merece?  Eu não.

Então, conte a verdade para seus amigos. Conte quem decidiu terminar esse relacionamento tóxico. Conte o quanto você gritou e o quão forte segurou meu braço naquela noite. As marcas ficaram por uma semana, mas quando sumiram, levaram todo o amor que eu pensava que sentia por você. E sim meu amor, o problema não é você, sou eu. Eu é que fui esperta o suficiente para não querer mais nada com você.
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Alguns dias são simplesmente estranhos. São dias nostálgicos, que nos confundem e tiram as cores da nossa vida. Hoje é um dia assim. Distante, difícil e sem cor. Um amor do passado, que jurei estar esquecido, voltou para minha vida sem ser realmente convidado. E eu voltei a ser a garota que a tanto pensei estar superada: ansiosa, desastrada, com uma autoestima fraca e, infelizmente, se sentindo apaixonada.

Quem diria que eu, que já não acredito em príncipes encantados e amores fáceis, passaria um dia nervosa pela iminência de uma conversa com alguém que ficou no passado, assistindo filmes românticos dos anos 60 e sonhando - como uma tola - com um amor inexistente? Sabe o quão patética me sinto? Contando os minutos para ter coragem de ir falar com um idiota. Imaginando cenários inconcretizáveis. Patética.

Como me permiti ficar assim, nesse deplorável estado, por um garoto tão complicado? Onde foi parar a garota confiante, feliz e de bem com a vida que eu costumo ser? Desde quando tenho medo dos fantasmas do passado? Pois é apenas isso que este cara é. Um fantasma. Um fantasma da garota que fui, um fantasma da vida que tinha. Um fantasma que me aterroriza apenas em pensamento.

E meu dia foi assim, complicado. Nem bom nem ruim. Apenas foi. Passou lentamente, arrastando os segundos. Mas foi. Amanhã é um novo dia, e sei que será melhor do que hoje conseguiu ser.


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Você, que já foi uma das pessoas mais importantes da minha vida, hoje não passa de um ‘tanto faz’. Você era o cara que me acalmava, meu melhor amigo, com quem eu conversava até o raiar do dia sem culpa, e agora não é mais do que ok te ver indo embora de minha vida. As brigas desgastaram nosso estranho relacionamento não é mesmo? Brigamos tanto, que não me importa mais se você vai ou fica. Me cansei de correr atrás, de ignorar seus dramas e suas infantilidades, de engolir suas ofensas oferecidas em tom de brincadeira. Cansei de me importar o suficiente para me magoar com nosso distanciamento ou sofrer com mais um fim. Sou apenas indiferente a você
.
O que me é mais estranho é como pude te aturar até agora. Suas mudanças constantes de humor, suas brincadeiras ridiculamente infantis, seus dramas inacabáveis. Meu deus, você me dá nos nervos! Você já foi melhor do que isso, e por tanto eu me prendi ao você que conheci e aprendi a gostar. Tão diferente da pessoa que você está se tornando. Por essa nova pessoa, por essa nova versão de você, eu não me importo de ir para longe. Não me importo de ser só mais uma memória, escondida e esquecida no fundo do seu subconsciente.

Por que nós fizemos isso? Por que brigamos tanto e insistimos em algo que já nasceu fadado ao fracasso? Você pode ser uma boa pessoa, mas parece que é mais divertido ser um idiota completo. Eu tento dar meu melhor para todos, embora nem sempre consiga. Você gosta de estar preso em sua solidão, e nunca tenta ver as coisas positivamente. Eu, luto para ver o melhor em tudo, por isso estou sempre relativamente feliz com a vida. Diferenças de mais, semelhanças de menos. O iminente fim esteve sempre claro para nós, então não me assusta que finalmente tenha chegado.

Já faz muito tempo desde que estivemos realmente bem, e não posso dizer que realmente sentirei sua falta. Chega uma hora, que as memórias de momentos ruins são mais fortes que as dos momentos bons e felizes. E então, sabemos que é o fim.

Dessa vez, posso garantir que meus sentimentos por você realmente morreram, afogados nas escuras e frias águas de todos os nossos ressentimentos. Não te odeio, não te amo, não sinto sua falta e nem estou aliviada por te ver partir. A indiferença vez residência fixa em meu coração, no lugar onde você costumava ocupar. Não vou mentir e dizer que sinto muito, pois não sinto. Há coisas que não podem ser evitadas.

Então, que esse fim signifique para nós um recomeço. Que pensemos em nossos erros e aprendamos com eles, para que no futuro não cometamos os mesmos estúpidos pecados. Podemos ser pessoas melhores a partir desse momento. E te desejo tudo de bom dessa vida, eu sei que você merece. 
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Nossa música está tocando baixinho no rádio, você está online e seu cheiro ainda não saiu totalmente do meu quarto. Já faz muito tempo desde que você saiu por aquela porta, deixando para trás alguns cigarros, sua blusa xadrez e uma garota com o coração destruído. Naquele dia, e em inúmeras noites que se seguiram, tudo o que fiz foi chorar e tentar entender como você pode esquecer um amor que outrora foi tão forte. Você se foi. Enterrou suas promessas ao lado de nossos dias bons, queimou minha esperança junto com os sorrisos que compartilhamos, selou nossa separação como selamos nossos beijos. E eu ainda estou lutando para te deixar ir.

Queimei nossas fotos e suas cartas recheadas de promessas vazias, joguei fora seus presentes, apaguei suas mensagens. Mas sua blusa ainda está aqui, escondida no fundo da minha gaveta, espalhando o cheiro do seu perfume por minhas roupas. Não consegui fazer nada com ela, então apenas a deixo longe de meus olhares, escondida de minhas lágrimas incontidas e estragando minhas inúteis tentativas de te esquecer.

Se eu te ligasse agora, você me atenderia? Ou ignoraria como fez com todas as minhas mensagens? Se eu tentasse mais uma vez entender para onde foi nosso amor, ainda seria uma busca inútil? Eu ainda ficaria sem entender como tudo o que construímos pode simplesmente ruir diante de meus olhos? Se eu tentasse te esquecer só mais um pouco, com um pouco mais de força, conseguiria me sentir menos vazia?

Para onde foram os sonhos que construímos juntos? Como você pode destruí-los com apenas um sopro? Será que você já se esqueceu de todos os segredos trocados nas madrugadas insones? Todos os planos para um futuro agora destruído. Você ficou por tanto tempo, que agora tudo parece inacabado, inadequado. Não consigo mais me lembrar de quem sou sem você, e não estou forte o suficiente para reconstruir a garota feliz que você, tão desastrosamente, deixou cair.

O tempo passa, e sei que você não está mais abalado por nosso não tão inesperado fim. Para você, nunca foi tão difícil abandonar o que já não lhe servia, não é? Sejam roupas, CDs, memórias ou amores. E eu mantenho-me em um constante estado de espera, arrastando-me pelos segundos, esquecendo-me de realmente viver. Tentando parecer forte, tentando juntar os delicados pedaços da minha vida, e me agarrando à memórias incompatíveis de um passado que parecia feliz. Meus dias demoram a passar, e minhas noites duram uma longa eternidade. E todos os dias eu me esqueço de te esquecer.

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Mais uma vez você me pede a verdade que oculto em meu coração, e novamente eu penso em torná-la mais digerível, para não magoar-te. Porém, desta vez eu realmente me cansei. Você quer sinceridade? Pois você a terá. Só não torne-me a bruxa má da história, quando não gostar do que vai ler.

Só para começar, você é um babaca. Você se faz de santo, bonzinho e inocente, mas na verdade é só mais um garoto mimado e patético, que não consegue ouvir um não. Atua como a vítima, na tentativa ridícula de fazer com que todos tenham dó de você. É infantil, machista e inconsequente ao extremo, e nunca pensa no sentimento das outras pessoas, embora na sua cabecinha completamente deturpada você imagine que, com suas atitudes condenáveis, está “salvando” o coração dos teus amigos. Meu bem, ninguém precisa da tua salvação. Aceite isso logo, porque já se tornou indescritivelmente entediante ouvir suas desculpas esfarrapadas, tentado dar às suas asneiras o tom nobre que elas jamais terão. Você é completamente bipolar, e eu estou cansada de não saber qual versão de você eu terei de enfrentar no dia. Quando bebe, você se torna o romântico que esconde de todos e diz todas as coisas lindas que qualquer garota adoraria ouvir. Quando está com seus amigos, é o idiota cretino que gosta de pisar e desrespeitar as pessoas e não pensa duas vezes antes de magoar alguém. Quando você está comigo, conversando até o raiar do dia, você consegue ser o cara safado, inteligente, criativo, sensível, doce e romântico que por muito tempo eu acreditei ser a versão mais real de um garoto confuso. E eu não consigo mais tentar descobrir qual deles é o real você.

O que mais? Você tirou de mim uma coisa extremamente importante, que eu guardei por anos para entregar ao meu “cara certo”. Roubou meu livre arbítrio, e ainda pensa ter algum direito comigo. Lutou por quase um ano inteiro para fazer com que eu me apaixonasse por você e, quando obteve sucesso, apenas desistiu de nós. Diz me amar, mas não conhece o real significado desta palavra. Se você realmente me amasse, não faria um quinto das coisas que fez comigo. Sorte minha que eu sou esperta o suficiente para nunca ter realmente acreditado no seu falso amor. Você distorce a realidade, tentando se tornar o príncipe encantado que nunca foi e nunca será. Desrespeita meu corpo, meu espaço e minha personalidade como se não fosse nada de mais. Como se esquecesse que eu sou um ser humano, dotado de sentimentos, que também tem o coração partido. Você diz que eu não sou digna do amor, mas é você que realmente não o merece.

Embora você saiba que eu tenho todos os motivos para te odiar até o fim dos meus dias, você ainda é estúpido o bastante para provocar-me ainda mais. Você escreve textos e mais textos, colocando-me em uma posição que eu não mereço assumir; nos teus textos eu sou a garota má, especialista em quebrar corações, fria e sem sentimentos. É mais fácil para você me ver assim? É mais fácil pensar que eu não mereço teu amor quando, na verdade, é você que nunca mereceu o meu? É mais fácil ver-me como uma pessoa cruel e sem coração, para poder ser o otário que quiser sem sentir remorso ou culpa? É melhor pensar que quebrei milhares de corações, como uma desculpa para tornar-me merecedora do tratamento que me oferece? Para você é melhor ver meus erros, ao invés de olhar para os teus. Eu conheço meus defeitos, e tenho orgulho de dizer que tento sempre melhorar a pessoa que sou.

Diferente de ti, eu jamais menti. Eu fui verdadeira todos os segundos, de todos os dias. Te avisei sobre quem era, te deixei conhecer meus medos, minhas angústias, meus sonhos. Te mostrei a verdade. A mais pura e límpida realidade de minha alma. E hoje, você ainda tem a coragem de dizer que eu nunca avisei sobre os perigos que eu oferecia. Percebe como es hipócrita?
Suas promessas jamais foram cumpridas, e ainda assim você tenta me enganar com mais promessas, tão vazias quanto teu coração. Tu dizes que eu jamais lhe ofereci oportunidades, mas não percebe que todas as vezes que lhe ofereci a chance que queria, você fez questão de destruir a esperança que eu, tola, havia depositado em um amor inventado. Escolhas erradas, pensamentos errados, atitudes erradas. Esse é você.

Egoísta, você raramente estava ao meu lado quando tudo o que eu precisava era de um amigo, mas quando estava sabia me ouvir como ninguém mais. Tu consegue me fazer sentir culpa por ser boa, por sentir o que sinto e ser quem eu sou. Você me confunde, me faz chorar, odiar a mim mesma, e ter medo de tentar. Você me intensifica, me magoa, me fere e destrói minha paz por não conseguir acha a tua.

Quem você pensa que é para chorar por mim? Quando acha que conquistou o direito de ser emocional ao meu respeito? Quem te disse que você possui o direito de esperar um olhar meu, uma palavra ou uma conversa? Odeio dizer isto, mas você não merece nem o modo como eu insisto em pensar em você. Não merece minhas tentativas, meus sentimentos, meu apego. Não merece que eu tente te entender, te explicar, te sentir. Não merece meus sorrisos, meus olhares e muito menos minhas lágrimas.

Você pediu a verdade. E aqui está. Eu estou cansada de você. Cansada de esperar pelas mudanças que você me prometeu. Cansada de esperar por tua maturidade, por sua sinceridade e por teu amor. Cansada de não saber quem você é. Cansada de aturar as coisas terríveis e impensadas que você insiste em dizer para mim. Cansada de mentiras, de desculpas, de beijos roubados. Cansada de acreditar em você. Cansada de pensar por nós dois, de ter que me proteger de quem diz ser meu amigo. Eu me cansei. Apenas, simples e completamente. 

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Gritamos, nos ignoramos, escrevemos textos inundados pela raiva que povoava nossos corações inquietos, afogamos-nos em pensamentos nostálgicos, contamos nossos problemas às estrelas, sentimos saudades de um nós e nos procuramos, reconstruímos o que pensamos não ter mais volta. De novo, de novo e de novo. Já virou rotina nos perdemos e reencontrarmos nas vielas da vida corriqueira. E, não seria diferente dessa vez não é mesmo? Embora tudo apontasse para nosso fim, embora tudo o que eu conseguia sentir por você fosse a mais pura raiva, mesmo que tudo nos dissesse para desistir, estamos tentando mais uma vez.

Mas, falando sério, será que vamos conseguir? Será que fomos feitos para sermos amigos? Somos tão extremos, que não me surpreenderia ao descobrir que não funcionamos bem neste intermédio, na linha divisória entre amantes e apenas conhecidos. Somos o fogo e o gelo, não nos damos bem em fases intermediárias. Conosco sempre foi 8 ou 80, então me assusta um pouco perceber que aceitamos ficar nos 40 dessa vez.

Sinceramente, embora eu esteja feliz, também me sinto emocionalmente agitada com nossa nova oferta de paz. Temo acabar tendo a certeza de que não fomos feitos para sermos um nós, e sim apenas uma memória apagada que quase não será visitada em um futuro não tão distante. Ainda não sei se posso –ou devo– confiar em você, ainda não tive a prova de que alguns erros realmente foram concertados e não voltarão a se repetir. Você me magoou muito em nossa última briga, e algumas marcas demoram a sumir.

Realmente espero que você cumpra suas promessas dessa vez. Que pense um pouco mais antes de falar tudo o que pensa, que respeite minha liberdade e individualidade. Espero que o tempo nos traga o que perdemos, que concerte as coisas que estão um pouco estranhas e nos ensine a conservar o que ainda temos. Somos especiais. Eu sou especial quando estou com você. Você tem o poder de intensificar meus sentimentos, me desligar um pouco da vida real e me acalmar quando o desespero resolve se instalar em mim. É pra você que eu quero ligar para contar as aventuras do meu cotidiano, é pra você que eu quero mostrar fotos de coisas que em algum momento me inspiraram, é com você que eu quero dividir meus sonhos, e contar sobre meus pesadelos. Por mais maluca que seja nossa relação, você torna minha vida um pouco mais feliz, e eu sou grata a isso.

Então, aqui estamos. Eu senti sua falta sabia? Senti falta de conversar contigo, de rir e compartilhar meus dias com você. Você diz que sentiu o mesmo, então por que não tentar mais uma vez? Vamos lá. Tentar. Lutar para fazer dar certo. Quem sabe dessa vez dê mesmo?

Amigos? Amigos.
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Aspirante a escritora, apaixonada por livros e sonhadora profissional.

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