Já faz um tempo que não lhe escrevo, desde que minha
infância foi levada para longe e eu parei de acreditar na magia que me encantou
por tantos anos. Parei de sonhar com fadas madrinhas, coelhos da páscoa, fadas
do dente e desejos que se realizam com um balançar de varinhas. Na emergência
de crescer, deixei de lado a magia de ser criança.
Hoje sou quase gente grande, e descobri que viver não é tão
fácil como parece. O mundo não é um conto de fadas, não existe fada madrinha
para vir ao meu socorro quando estou presa em pesadelos reais. O príncipe encantado
é um babaca, a madrasta má é apenas incompreendida e o lobo mal tem um sorriso
incrível.
Papai Noel, quando eu era pequena era tudo tão mais fácil!
Não havia pergunta sem resposta, história sem ponto final, desejo não realizado
ou dor que um beijinho de mãe não curasse. Quando eu era criança podia ser
princesa, bruxa, sereia, exploradora, astronauta ou médica. O futuro não era
assustador e os sonhos eram vívidos e brilhantes. Todo dia era dia de ser
feliz.
Anos se passaram, e a realidade que descobri me deixou mais
dura, quebrou minhas asas e me jogou ao chão, onde me obrigou a ficar com os
pés fincados. A pergunta “o que você vai ser quando crescer” parou de ter uma
resposta fácil, as histórias pararam de começar com era uma vez, papai Noel passou
a ser só mais uma lenda boba. A Barbie passou a me olhar com desgosto, afinal
eu nunca teria o rosto ou o corpo perfeitos, nunca seria a princesa mais linda
do reino.
Mas alguma coisa aconteceu, e hoje eu quero um pouco daquela
magia de volta. Quero sonhar alto sem medo de cair, encarar o futuro como só
mais um dia para se divertir. Por isso escrevo essa cartinha. Para resgatar um
pouco da infância de deixei para trás há tanto tempo. Querido papai Noel, eu
não sou a melhor menina do mundo e nem acho que um dia serei, mas esse ano tudo
o que eu mais quero é ser feliz como uma criança em noite de natal.
Com muito amor,
Anna Murça.
