Já quis sumir, desaparecer, me desfazer,
Mas nunca quis deixar de ser eu.
Já fui calma, límpida, permissível,
Já fui mais amor do que devia ser.
Já vivi um dia de cada vez,
e contei os segundos para alvorecer;
Já fui 8 ou 80,
Ódio ou amor,
Ou esfria ou esquenta;
Já fui bailarina, veterinária e detetive.
Já sonhei em vencer dragões, salvar reinos e beijar príncipes encantados.
Já quis muito, e depois já não queria mais.
Já sorri, chorei e vivi.
Hoje, ando sendo eu
Um eu que gosto bastante de ser.
Que é água, terra e magma fervente,
Com sol, lua e pó de uma estrela distante
Feita de constelações dentro de um olhar simplório.
Posso ser leve garoa que se transforma em furacão,
Impossível de se conter ou adorável de se ver
Sou altos, baixos, sim e não.
Continuidade regada a mudanças.
Sou passarinho preso,
Que sonha em voar.
Sou desejo de liberdade,
Que se traduz em linhas borradas.
Sou neta preocupada, filha querida, irmã cuidadosa.
Sou melhor amiga, confidente e conselheira.
Sou Anna, Clarinha, Anninha, Cacala ...
Sou vida que quer ser vivida.
Sou positividade escrita,
Apaixonada por dias cinzentos e chuvas de verão
Contadora de histórias que sonha em mudar o mundo
um tiquinho de cada vez.
E amanhã?
Ai posso ser outro ser
Tudo o que quero, é poder me orgulhar de bater no peito e dizer
Que nunca deixaria de ser
Eu.
