Histórias Confessas


Quem é essa garota que você encontrou para assumir um lugar que já me pertenceu? Quem é essa que te olha com carinho quando você se distrai? Quem é que, tão logo eu parti, apareceu para arrumar a bagunça que deixei? Afinal, por que me sinto assim? Eu não te amo, é verdade, mas realmente gosto de você. Afinal, se não gostasse por que teria aguentado o relacionamento defeituoso que mantínhamos? E doeu ver que você conseguiu me esquecer assim, tão fácil. O que eu sou para você, se comparada com ela? Sou âmbar, enquanto ela é ouro puro. Ela te faz feliz, enquanto tudo o que eu fazia era ser uma ambição fria e distante. E ela é bonita. Odeio admitir, mas vocês formam um casal incrível.

Eu sei, eu te deixei. Eu dei a palavra final. Eu sou a culpada por nosso fim. Eu quebrei seu coração quando vi que você não podia concertar o meu. Não devia – e talvez não tenha nem mesmo o direito – de sentir inveja dos beijos que ela te dá agora. Mas não me importo. Te ver com ela acabou comigo.
 
Meus amigos dizem que me assustei com a rapidez com a qual você deu a volta por cima, mas eu sei a verdade. Eu estou medindo tudo o que perdi quando disse adeus. Perdi quem entendia minhas neuras e sabia lidar com minhas crises. Perdi quem me abraçava quando eu precisava de carinho, quem sorria das mínimas coisas que eu escondia em meus detalhes, que brigava comigo toda semana. Perdi um amigo e um confidente, embora não um grande amor. Perdi nossas brincadeiras, nossa sincronia, nossos olhares afiados. Perdi a pessoa que conversava comigo pelas madrugadas, que dividia seus anseios, que me contava histórias. Que me ligava quando eu ia pra casa. Perdi, e só agora realmente percebi que não vou ter de volta. 

E o mundo sabe o quanto eu estou tentando ficar feliz por você. Você merece os sorrisos, os beijos apaixonados, as mãos dadas ao caminhar. Você merece mesmo. Não é uma má pessoa, só foi uma má pessoa ao meu lado. Tínhamos ritmos muito divergentes, e agora você achou sua batida perfeita.  Então vá ser feliz. Eu e meu coração vamos ficar bem.
Share
Tweet
Pin
Share
2 comentários


Um dia, decidiram me odiar.
Sem motivos, explicações ou razões concretas.
Era pequena, sensível, frágil e imperfeita
Nunca foi um grande desafio me hostilizar pelos corredores.

E então me odiaram
Me chamaram de nomes cruéis,
Gritaram por aí que eu não valia nada
E que só podia ser louca por gostar de ser eu.

Com o tempo, eu aprendi a me odiar também.
Odiava o tudo;
Odiava o nada;
Odiava ter que morar dentro de mim.

Felicidade se tornou um desejo distante.
Constantemente presa na tentativa de explicar o inexplicável,
Afinal, suas palavras não poderiam ser sem motivo algum.
Então a culpa aprendeu a dividir espaço com o vazio dentro mim.

Mas o tempo, fluído, não demorou a passar.

Um dia eu finalmente consegui entender.
Não foi algo que eu fiz ou disse.
Foi pelo prazer doente de ser cruel.
Foi pela infelicidade com a própria existência.

Hoje, voltei a me amar.
Fiz as pazes com meus defeitos e decidi,
De uma vez por todas,
Ser feliz com meu eu.

Agora torço para que você ache um meio o ser feliz também.
Que pare de plantar essa negatividade opressora,
E compreenda o peso que suas palavras podem ter
Assim, quem sabe um dia você pare de distribuir essa ódio sem sentido por aí.



Share
Tweet
Pin
Share
11 comentários

Talvez você esteja em casa, assistindo alguma série sobre psicopatas na netflix, sentindo-se tão só quanto eu me sinto. Talvez, você esteja em uma festa, sorrindo e esquecendo-se por um momento do vazio em seu peito que, em algumas noites solitárias, parece ter um peso esmagador. Talvez, você esteja estudando para uma prova de matemática, fazendo panquecas, ouvindo alguma banda dos anos 90, pesquisando sobre a extinção dos tigres dente de sabre. Talvez, talvez, talvez. Talvez você exista, talvez nos esbarremos por aí, talvez encontremos um no outro a peça que falta em nosso quebra cabeça defeituoso. Ou talvez você seja apenas fruto da esperança de uma garota estranha, que por motivos também estranhos não seja tão boa com relacionamentos. Esse é o problema não é? O talvez. A inebriante falta de certeza que nos cerca e nos deixa assim. Desnorteados, apegando-se à esperança fútil de um amor inventado.

Mas, meu querido talvez, eu não sou capaz de abandonar-te. Não sou capaz de encarar a realidade completamente e perceber o quão patética sou por ansiar por alguém como ti. Você é meu porto seguro nas piores noites, com quem eu sonho quando a vida se transforma em um pesadelo, minha doce ilusão. Não tem nome, endereço e não se parece com ninguém. Um sopro de esperança que não me permite abandonar minha fé no amor. Isso é você. Um amor inexistente, incoerente e impossível, mas que não me deixa desistir completamente.

Talvez você esteja em mim, seja a parte da minha personalidade que, por mais dura que seja a queda, por mais infeccionado que esteja o ferimento, quer ficar e lutar por dias melhores. Talvez, algo dentro de mim esteja quebrado, e você seja o pedaço que falta para consertar tudo. A minha super cola. O que sei é que pensar que há alguém, em algum lugar, que se sinta tão deslocado quanto eu me sinto, não me deixa entrar em colapso. Pra mim, você é uma ideia boa. Um personagem de uma história ainda não contada. Um bote salva vidas em que posso me agarrar a hora que quiser, sem o risco de estragar tudo. Talvez você não exista, talvez eu seja louca por imaginar-te, mas sem isso, sem essa pequena e louca parcela de esperança, eu jamais poderia escrever sobre o amor.
Share
Tweet
Pin
Share
2 comentários

E quem nunca disse "eu te amo", quando o que realmente sentia não passava de um "eu te gosto"? O amor tem se tornado algo tão banal quanto dizer bom dia. Todos dizem, para todas as ocasiões e se esquecendo do real significado da expressão. Embora não seja mais de conhecimento público, amar não é o mesmo que estar apaixonado. Paixão é aquele sentimento forte, avassalador e momentâneo que experimentamos incontáveis vezes durante a vida. Amor é calmo, chega de mansinho e nos captura, muda nosso modo de ver a vida e nos prende para sempre. Poucos são os sortudos que realmente são inundados pelo amor nesta sociedade cada vez mais fria e banal.

Basta abrirmos qualquer rede social, para sermos expostos a juras de amor eterno que não duram mais que algumas semanas, e que são esquecidas assim que outro "príncipe encantado" surge nas esquinas da vida. Casamentos são desfeitos, relacionamentos esquecidos e lágrimas arquivadas. Amores reais são jogados de lado por meras aventuras momentâneas, e todos parecem se esquecer dos sonhos construídos em conjundo, dos juramentos sob a luz das estrelas, das borboletas no estômago e da paz que se alcança ao ter quem amamos ao nosso lado. Ninguém mais preserva a integridade do amor. Dizemos eu te amo para o namorado, para o rolo de fim de semana, o bonitinho da academia, o padeiro que faz aqueles bolinhos deliciosos da padaria da esquina. Dizemos tanto, que esquecemos de realmente amar.

Quantas amigas já não vieram até mim após terminar um relacionamento de anos, meses ou até dias, com a mesma ladainha de "ele era o homem da minha vida"? Quantas não reclamaram que, mesmo gritando aos sete ventos o amor que sentiam, deixaram a chama do amor -que nesse caso se chama paixão- se apagar? Quantas vezes não ouvi o discurso de que, embora diga para minha amiga que a ama incondicionalmente, o tal fulaninho da vez não prova seu "amor" com reais atitudes? E minha resposta é sempre a mesma. Entre potes e potes de sorvete, choros intermináveis e algumas raras risadas, provo por A mais B o que já era óbvio. Você nunca amou esse cara. Então, aceite que acabou a paixão, e parta para outra. Entenda que amor não dá em árvore, e que não é qualquer carinha com olhos brilhantes e sorriso sedutor que vai conquistar, não suas palavras, mas seu sentimento.

Dizer que ama é fácil. Difícil mesmo é conviver com alguém nos piores dias, lidar com dramas que não te pertencem e ainda assim querer ficar junto.
Share
Tweet
Pin
Share
No comentários
Newer Posts
Older Posts

Quem escreve



Aspirante a escritora, apaixonada por livros e sonhadora profissional.

Categorias

  • Dores Autorais
  • Textos
  • Livros
  • Resenhando
  • Romantizando
  • Filmes
  • Filosofando
  • Writing Prompt

Os mais lidos

  • Quem sou, senão eu?
    Já quis sumir, desaparecer, me desfazer, Mas nunca quis deixar de ser eu. Já fui calma, límpida, permissível, Já fui mais amor do q...
  • Até sonhos empoeirados um dia veem a luz do sol
    Eu já fui só mais uma boba apaixonada, esquecendo-me de mim ao pensar em um alguém que não se importava com minha felicidade. Já cond...
  • Me esqueci de te esquecer
    Nossa música está tocando baixinho no rádio, você está online e seu cheiro ainda não saiu totalmente do meu quarto. Já faz muito tempo ...

Arquivo X

  • ▼  2017 (1)
    • ▼  junho (1)
      • Suspiros
  • ►  2016 (14)
    • ►  novembro (1)
    • ►  agosto (2)
    • ►  julho (1)
    • ►  junho (1)
    • ►  maio (1)
    • ►  março (1)
    • ►  fevereiro (2)
    • ►  janeiro (5)
  • ►  2015 (13)
    • ►  dezembro (10)
    • ►  novembro (3)

Created with by ThemeXpose