Histórias Confessas



Um dia, decidiram me odiar.
Sem motivos, explicações ou razões concretas.
Era pequena, sensível, frágil e imperfeita
Nunca foi um grande desafio me hostilizar pelos corredores.

E então me odiaram
Me chamaram de nomes cruéis,
Gritaram por aí que eu não valia nada
E que só podia ser louca por gostar de ser eu.

Com o tempo, eu aprendi a me odiar também.
Odiava o tudo;
Odiava o nada;
Odiava ter que morar dentro de mim.

Felicidade se tornou um desejo distante.
Constantemente presa na tentativa de explicar o inexplicável,
Afinal, suas palavras não poderiam ser sem motivo algum.
Então a culpa aprendeu a dividir espaço com o vazio dentro mim.

Mas o tempo, fluído, não demorou a passar.

Um dia eu finalmente consegui entender.
Não foi algo que eu fiz ou disse.
Foi pelo prazer doente de ser cruel.
Foi pela infelicidade com a própria existência.

Hoje, voltei a me amar.
Fiz as pazes com meus defeitos e decidi,
De uma vez por todas,
Ser feliz com meu eu.

Agora torço para que você ache um meio o ser feliz também.
Que pare de plantar essa negatividade opressora,
E compreenda o peso que suas palavras podem ter
Assim, quem sabe um dia você pare de distribuir essa ódio sem sentido por aí.



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Talvez você esteja em casa, assistindo alguma série sobre psicopatas na netflix, sentindo-se tão só quanto eu me sinto. Talvez, você esteja em uma festa, sorrindo e esquecendo-se por um momento do vazio em seu peito que, em algumas noites solitárias, parece ter um peso esmagador. Talvez, você esteja estudando para uma prova de matemática, fazendo panquecas, ouvindo alguma banda dos anos 90, pesquisando sobre a extinção dos tigres dente de sabre. Talvez, talvez, talvez. Talvez você exista, talvez nos esbarremos por aí, talvez encontremos um no outro a peça que falta em nosso quebra cabeça defeituoso. Ou talvez você seja apenas fruto da esperança de uma garota estranha, que por motivos também estranhos não seja tão boa com relacionamentos. Esse é o problema não é? O talvez. A inebriante falta de certeza que nos cerca e nos deixa assim. Desnorteados, apegando-se à esperança fútil de um amor inventado.

Mas, meu querido talvez, eu não sou capaz de abandonar-te. Não sou capaz de encarar a realidade completamente e perceber o quão patética sou por ansiar por alguém como ti. Você é meu porto seguro nas piores noites, com quem eu sonho quando a vida se transforma em um pesadelo, minha doce ilusão. Não tem nome, endereço e não se parece com ninguém. Um sopro de esperança que não me permite abandonar minha fé no amor. Isso é você. Um amor inexistente, incoerente e impossível, mas que não me deixa desistir completamente.

Talvez você esteja em mim, seja a parte da minha personalidade que, por mais dura que seja a queda, por mais infeccionado que esteja o ferimento, quer ficar e lutar por dias melhores. Talvez, algo dentro de mim esteja quebrado, e você seja o pedaço que falta para consertar tudo. A minha super cola. O que sei é que pensar que há alguém, em algum lugar, que se sinta tão deslocado quanto eu me sinto, não me deixa entrar em colapso. Pra mim, você é uma ideia boa. Um personagem de uma história ainda não contada. Um bote salva vidas em que posso me agarrar a hora que quiser, sem o risco de estragar tudo. Talvez você não exista, talvez eu seja louca por imaginar-te, mas sem isso, sem essa pequena e louca parcela de esperança, eu jamais poderia escrever sobre o amor.
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E quem nunca disse "eu te amo", quando o que realmente sentia não passava de um "eu te gosto"? O amor tem se tornado algo tão banal quanto dizer bom dia. Todos dizem, para todas as ocasiões e se esquecendo do real significado da expressão. Embora não seja mais de conhecimento público, amar não é o mesmo que estar apaixonado. Paixão é aquele sentimento forte, avassalador e momentâneo que experimentamos incontáveis vezes durante a vida. Amor é calmo, chega de mansinho e nos captura, muda nosso modo de ver a vida e nos prende para sempre. Poucos são os sortudos que realmente são inundados pelo amor nesta sociedade cada vez mais fria e banal.

Basta abrirmos qualquer rede social, para sermos expostos a juras de amor eterno que não duram mais que algumas semanas, e que são esquecidas assim que outro "príncipe encantado" surge nas esquinas da vida. Casamentos são desfeitos, relacionamentos esquecidos e lágrimas arquivadas. Amores reais são jogados de lado por meras aventuras momentâneas, e todos parecem se esquecer dos sonhos construídos em conjundo, dos juramentos sob a luz das estrelas, das borboletas no estômago e da paz que se alcança ao ter quem amamos ao nosso lado. Ninguém mais preserva a integridade do amor. Dizemos eu te amo para o namorado, para o rolo de fim de semana, o bonitinho da academia, o padeiro que faz aqueles bolinhos deliciosos da padaria da esquina. Dizemos tanto, que esquecemos de realmente amar.

Quantas amigas já não vieram até mim após terminar um relacionamento de anos, meses ou até dias, com a mesma ladainha de "ele era o homem da minha vida"? Quantas não reclamaram que, mesmo gritando aos sete ventos o amor que sentiam, deixaram a chama do amor -que nesse caso se chama paixão- se apagar? Quantas vezes não ouvi o discurso de que, embora diga para minha amiga que a ama incondicionalmente, o tal fulaninho da vez não prova seu "amor" com reais atitudes? E minha resposta é sempre a mesma. Entre potes e potes de sorvete, choros intermináveis e algumas raras risadas, provo por A mais B o que já era óbvio. Você nunca amou esse cara. Então, aceite que acabou a paixão, e parta para outra. Entenda que amor não dá em árvore, e que não é qualquer carinha com olhos brilhantes e sorriso sedutor que vai conquistar, não suas palavras, mas seu sentimento.

Dizer que ama é fácil. Difícil mesmo é conviver com alguém nos piores dias, lidar com dramas que não te pertencem e ainda assim querer ficar junto.
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Eu já fui só mais uma boba apaixonada, esquecendo-me de mim ao pensar em um alguém que não se importava com minha felicidade. Já condicionei meus sorrisos aos sorrisos de um par de olhos castanhos chocolate. Já deixei meus sonhos de lado para ajudar a construir os de um cara que pensei ser minha alma gêmea. Já amei por dois, vivi por dois, desejei por dois. Já quis mudar meu ser para me sentir amada. Já mudei de cor de cabelo, estilo de roupa, gosto musical. Tudo isso para que um garoto com o sorriso brilhante gostasse de mim. Já fiz muita bobeira nessa vida. Já escolhi a felicidade de quem pensei amar antes da minha. Mas agora, declaro estado total de mudança. A partir de hoje, eu escolho a mim.

Vou sonhar o mais alto possível e lutar para realizar tudo o que quiser. Vou rir de mim mesma, amar quem sou e viver uma vida que valha a pena. Vou ser louca, boba, desastrada. Vou ser tudo o que sou, sem tirar nem por. Vou me permitir admirar o azul do céu, o colorido das borboletas do jardim do bairro, o calor do sol em minha pele. Vou dançar na chuva sem me preocupar com a chapinha. Vou comprar o maior sanduíche, sem medo de pensarem que não sou uma dama. Não sou. Na verdade nunca fui. Vou cortar o cabelo como eu gosto, passar meu melhor batom vermelho, colocar meu vestido favorito e sair para me divertir. Tenho amigos que me amam por quem sou, então por que precisaria que alguém me amasse por quem finjo ser?

Vou comprar lápis de cor e entrar em um curso de desenho. Vou aprender a falar francês, italiano e talvez até alemão. Vou planejar mil viagens sem saber se um dia vou conseguir fazê-las. Vou treinar escalada, comprar uma bicicleta e correr uma maratona. Vou perder o nojo e finalmente experimentar sushi. Vou trabalhar como voluntária, adotar um gatinho e conversar com estranhos na rua. Vou entrar em um ônibus sem saber pra onde ele vai, me perder e me encontrar. Vou mirar na lua, quem sabe eu não acerto uma estrela?

Tenho tantos sonhos empoeirados dentro do armário, privados da superfície, que me assusta pensar em porque os coloquei lá. Chego a ter uma leve vergonha de perceber que até hoje deixei minha vida ser moldada por pessoas que não se preocupavam verdadeiramente comigo. Por anos fui nada mais que uma bonequinha. Deixei que brincassem comigo. Que me vestissem, que dissessem do que deveria gostar ou o que deveria dizer. Me dizerem quem deveria ser. Mas um dia eu acordei e percebi como estava sendo estúpida. Eu vou viver. Sem medo de ser feliz. E pra quem não gostar, bem, Que se dane!


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Aspirante a escritora, apaixonada por livros e sonhadora profissional.

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